quarta-feira, 13 de maio de 2009

Hoje é o seu aniversário.
Não me lembro se algum dia eu lhe parabenizei. O (pouco) tempo em que passamos junto se perdeu na minha memória pré-escolar, mas a lógica me diz que eu era muito pequena para isso.
Hoje é o seu aniversário.
Você foi embora da primeira vez há muito, muito tempo, mas eu me lembro da sua silhueta, na casa da minha avó. Não sei se é uma memória falsa, criada pelas histórias que me contaram de você, mas é o que está aqui. Não me lembro se você de despediu de mim ou nas meninas.
Hoje é o seu aniversário.
Você foi embora definitivamente há 10 anos. Não se despediu de mim, nem das meninas, nem de ninguém, nem da vida. Quem te levou embora? A tristeza, a angústia, a decepção, o desconsolo, Deus, a vida? Vou passar o resto da vida me perguntando por quê aquele encontro prometido nunca aconteceu.
Hoje é o seu aniversário.
De você, ficou em mim os olhos, a sobrancelha, a boca torta, o andar, o porte desengonçado. Ficou para mim uma fotografia pequena, em que você sorri e eu estou no seu colo, levemente mal humorada com 12 dias de nascida.
Hoje é o seu aniversário.
Faz 10 anos que eu não recebo mais seu cartão de aniversário, nem o de Natal.
Hoje é o seu aniversário, e apesar de todos os pesares, de todas as fantasias falsas, de todos os sonhos não realizados, de todas as promessas não cumpridas, da ausência sem explicação, da perda prematura, eu sinto a sua falta.
Feliz Aniversário, pai.

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