domingo, 8 de agosto de 2010

Eu quero acreditar (e vocês realmente precisam saber que eu quero acreditar) que não sou a única pessoa da face desta terra que briga com a balança, com a consciência, com o peso nela, com o fecho das calças, todo santo dia.
Quero crer que eu não sou a única que acha que as refeições são momentos únicos, em que podemos opinar sobre tudo, até sobre o que não entendemos coisa nenhuma, ou podemos ficar em silêncio, apenas mastigando e sentido o sabor. Diante de uma tigela de sopa ou um prato de risotto podemos pensar nas contas do mês, na saudade que sentimos de pessoas que já partiram, na agenda interminável de amanhã. Podemos ainda fazer declarações de amor, suspirando, diante do prato de talharim que cozinhou demais.
Eu gosto muito de pensar que talvez eu não seja a única pessoa do mundo que vê a comida como remédio, pois não tem ansiolítico no mundo que cause melhor sensação de bem estar que o mingau de fubá com alho e couve que a mamãe fazia quando éramos pequenos.
Diante da pizza que ficou crocante ou do lombo com laranja que ficou no ponto perfeito, tudo fica mais simples, mais fácil, mais divertido, mais interessante. Os problemas ficam menores, e até aquele vinho fuleiro que você comprou com os últimos caraminguás do seu salário fica mais interessante.
Eu queria, além de tudo isso, não estar doente e queria, depois disso ainda, gostar menos de comida. Como eu queria.

2 comentários:

samara disse...

Eu brigo tanto , mas tanto com a balança(ela ganha sempre) com a minha consciência, com a solidão, e não sei escrever como você.

Hugo Avelar disse...

Comer é minha vida! É o momento mais feliz da minha vida. Nasci gordinho e acho que morrerei gordinho, não tenho vocação pra ser magro. Tenho a briga eterna com a balança também, mas nunca deixo de comer nada por conta dela. Vai que eu morro amanhã e não comi aquela barra de chocolate não é mesmo??