domingo, 13 de março de 2011

Nós mudamos, no final do ano passado, de um bairro na zona leste da cidade para um da zona sul. Saímos, então, de uma região onde predomina a classe c/d e viemos morar num bairro classe a/b; não foi planejado, viemos pela condição de custo do aluguel do apartamento (que estava saindo mais em conta que outro no bairro antigo).
Este bairro novo é tradicional, antigo, então uma parte das famílias que estão aqui são os famosos "velhos-ricos", famílias antigas que tinham status e poder social nas décadas de 60 e 70 e que resistiram a se mudar para bairros mais novos e chiques.
Bem, alguns desses "velhos-ricos" não são mais ricos, apenas velhos, e de vez em quanto encontro com suas idosas (outras nem tanto) esposas na feira/açougue que tem próximo de casa (feira que os mineiros chamam de sacolão e que tem uma mulher como açougueira) e tenho observado coisas que me deixam profundamente chateada com a sociedade.
Uma, que eu vejo sempre, são as "velhas ex-ricas" tratando as funcionárias de forma grosseira, antipática e mau humorada. Olha, me tira do sério. Outro dia tinha uma na minha frente, na fila, brigando por centavos no preço da melancia (mesquinharia); a menina dizendo "senhora, é o preço que está registrado no sistema" e a mulher vociferando com a garota que queria pagar o preço que alguém falou que custava. Vontade de mandar ela enfiar aquela melancia no ouvido, juro.
Outra, que me entristeceu demais pela limitação ridícula do ser humano, foi uma madame de óculos Prada (nada contra, eu mesmo adoro, só para situar mesmo), dizendo que lamentava não comprar a carne que estava em oferta, pois a empregada não estava em casa para separar a carne que ela comprava. Oi? Ela não ia comprar carne porque precisava de uma serviçal para completar a tarefa?
Essa relação de superioridade em relação a prestadores de serviço, pessoas com menos instrução ou atendentes de supermercado, padaria, porteiros, garçons, etc. para mim, diz muito sobre aquela pessoa, principalmente que NÃO é o tipo de pessoa com quem eu quero me relacionar. Nojo dessa gente.
Não sei se fui clara ou me fiz entender corretamente no texto, mas esse assunto estava me incomodando e eu queria colocar aqui.

3 comentários:

Aldaneire disse...

Triste-triste isso...

cronicasurbanas disse...

Enfiar no ouvido é gentileza sua. Pensando bem, melhor seria mandar enfiar a melancia em outro lugar...
Também acho esse ar de superioridade besta o fim da dinastia. Sabe o que 'mirrita' aos montes? Gente que se dirige ao funcionário da loja sem dar bom dia, sem falar 'com licença' ou 'por favor', e termina sem o 'obrigada'. Coisas básicas de civilidade e, ó, cadê?
bjk
Mônica
@madamemon

Lori disse...

classe média sofre